quarta-feira, 15 de agosto de 2018

jura secreta101



Jura secreta 101

fosse Clarice
uma mulher aos trinta
em tudo que ainda sint(r)a
como um mar pulsando ostras
beijaria o sal nas coxas
entre deuses céus infernos
fosse sagrado – não profano
nossos desejos mais e-ternos

fosse nu – corpo sem planos
como o vento nos vinhedos
em teus cabelos – desalinhos
os teus poros nos  meus dedos
tua lã fosse meu linho
tua língua entre meus dentes
 em nossas bocas tinto – vinho

Artur Gomes



quarta-feira, 1 de agosto de 2018

poeticas


Poética 106
Para Carolina Barbato

tua voz ecoa
marulha um mar
de um outro cais
e vens em ondas
 solos de cristais
acordando algas
cavalos marinhos
peixes abissais

rouca  elétrica
essa garganta lírica
de vocais intensos
quando teu ser eu penso
como  um som atávico
de milhões de Eras
nas línguas  da história
que os meus ouvidos híbridos
ainda ouvem  na memória


Poética 105

bebo teus olhos
dentro da noite escura
de onde vens criatura
que me consome na fala
quando me olha e se cala
no seu profundo pensar

mergulho no teu silêncio
pelos mistérios do cio
pelos segredos do ar
o que me trazes do rio
o que me teces no fio
o que me levas do mar



Artur Gomes Gumes


terça-feira, 3 de julho de 2018

a menina que roubava sonhos



A menina que roubava sonhos

Era uma tarde qualquer
Ensolarada em Nova Roma do Sul
havia acabado de falar poesias
de Oscar Bertholdo
na semana cultural da cidade
enquanto ela me esperava sentada
na porta do VinoCap em Bento Gonçalves

Dalí já era um pintor su-realista
quando na noite entre poesia e outra
nos beijávamos no lugar
da memória e    boemia

Artur Gomes
o poeta enquanto coisa

terça-feira, 29 de maio de 2018

toda nudez não será castigada



toda nudez não será castigada

quantos azuis celebram
tua pele pêssego
para que o amor seja
sempre
a fruta que a semente
explode em luz

Federico Baudelaire

sábado, 19 de maio de 2018

o poeta enquanto coisa




O poeta enquanto coisa
para Tonho França

Escrito a 16 mãos
8 cabeças
cada um com o seu tanto
catando palavras ao vento

cada qual com sua lida
cada qual com seu invento
comendo da minha comida
provando do meu labirinto

abbey road
easy rider
nova acrópole
absinto

Artur Gomes
Obs.: novo livro ganhando forma

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Traficagem



Traficagem

não é sagaranagem
nem sequer libidinagem
de Macunaíma com Oxum

é definição de Ednalda Almeida
para ilustração da capa do meu livro
Juras Secretas do pudor nenhum

metáfora concreta
para o traço lírico gráfico
de Felipe Stefani
como um poema ereto
qual espada de Ogum

re-leitura erótica do que está o-culto
entrelaçados entre dois corpos tensos
que se entregam ao  coito
sem problema algum

pernas coxas línguas dedos dentes
e o êxtase impresso
na estrutura muscular  de cada um

Artur Gomes
Para o meu próximo livro: O poeta enquanto coisa


terça-feira, 20 de março de 2018

federika me deixou a ver navios



Federika me deixou a ver navios

federika não me ama mais
jogou forma minha mala da fama
na varanda do seu cais
me  deixou a ver navios
nesse mar de tempestades
me deixou só na saudade
dos Recifes das  Viagens
do seu corpo cama cozinha
seu azeite sal com pimenta
as ervas que mais preciso
não sei onde mais encontrar
Zeus que me guarde em Juízo
para não me atirar do 8º Andar

Federicco Baudelaire