terça-feira, 20 de março de 2018

federika me deixou a ver navios



Federika me deixou a ver navios

federika não me ama mais
jogou forma minha mala da fama
na varanda do seu cais
me  deixou a ver navios
nesse mar de tempestades
me deixou só na saudade
dos Recifes das  Viagens
do seu corpo cama cozinha
seu azeite sal com pimenta
as ervas que mais preciso
não sei onde mais encontrar
Zeus que me guarde em Juízo
para não me atirar do 8º Andar

Federicco Baudelaire




sexta-feira, 16 de março de 2018

artefato



artefato (poema sujo)

numa cidade abstrata
sem sentido ou significado
matadouro é arte concreta
veracidade é pecado
pago com pena de morte

esta máquina de escrever
fotografada em Itaguara
como um poema de Lorca
escrito em Nova Granada
cravado em Araraquara

você não sabe onde está
você não sabe onde  é
você não sabe de quem foi
este punhal na metáfora
que sangra a carne do boi

Artur Gomes

quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes


domingo, 25 de fevereiro de 2018

o fauno e a flauta


o fauno e a flauta

o fauno lê Baudelaire
do outro lado da trama
enquanto dorme a donzela
com uma rosa entre as coxas

o fauno traça o poema
na geografia do corpo
atravessa o vértice do tempo
com o seu falo em chamas
por não ter juízo

e com a flauta toca
pétala por pétala
na porta de entrada
do pontal do paraíso

Artur Gomes

imagem: Daniela Pace

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

um outro nada



um peixe mergulha
um outro nada

como não tenho um outro
nada a te oferecer
te ofereço flor de cactos
flor de lótus
flor de lírios
ou mesmo sexo
sendo flor ou faca fosse
nos poemas ácidos
em meus nervos óxidos

te ofereço tudo
sem nenhum apego
minhas arte/manhas

meu desassossego

Artur Gomes

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sax blues poesia


Sax Blues Poesia
Artur Gomes - voz - poesia
Dalton Freire - Sax - Flauta
Álvaro Manhães - voz e violão
Dia 6 - fevereiro 20:00h
Tenda Para Todos - Farol de São Tomé
Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Ind/Gesta

não prego prego sem estopa
nem tapo o sol com a peneira
não troco manguinhos por mangueira
nem pulga por carrapato
eu sou a mosca
que pousou na tua sopa
a pedrinha
que entrou no teu sapato

Artur Gomes



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EntreDentes




Manguinhos

todo ano
o Oceano
amplo espaço
para o vento
o barco
o tempo

calmaria
temporal
e tempestades

no mar a alga
o sal
o peixe

abissal
entre os corais

em mim
tudo é mar
da foz ao cais

meu barco/corpo
flutua tuas marés
entre/navios

beber teu sal
pra re/nascer
de outra fonte

o infinito
é logo ali
do outro lado do horizonte

Artur Gomes



numa trilha de bike hoje pelo litoral percebi que o
amor é transe corporal muito além do mar de sal que me lambe as coxas entre a mata e o manguezal de Rio das Ostras

Gigi Mocidade





cabeça

ando me deliciando com a poesia de Adélia Prado onde o sagrado e o profano brincam de desencapar fios elétricos como pedras na carne e esporas ao vento Adélia tem medo de chuva de relâmpios casca de manga medo de certos bicho que não fala pra não ter que lavar sua boca com cinza.

Artur Gomes