sábado, 30 de abril de 2016

vertigens 6 e 7



vertigem 7

quero dizer apenas
que não vale a pena
só te ver de longe
na fotografia

e pensar teu nome
para poesia

quero tocar teus poros
conhecer a pele
radiografar teus pelos
ser teu dia a dia


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vertigem 6

dessa vertigem
sobrou a rima
que é prima da palavra/imagem
V(l)ER na plataforma do sentido
o objeto do desejo
onde vai ser o beijo
no instante dardo
quando o bardo
dilacera toda fibra
toda tripa do estômago
sem válvula de escape
o índio e seu tacape
dentro a Oca fêmea
na palavra gêmea
que o gozo assume
como um vagalume
jorra a língua lume
sobre a pele impune
pode ser tapume
a carne que me aquece
ou faca de dois gumes
se eu esquecer o nome
é ela quem me esquece

Artur Gomes II
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sagarânica

desejar-te
é uma arte
que cultivo 
planta

quando canta
ou cala
quando fala
ou ri

desejar-te
é uma parte
que de mim
re-parte
parati

Artur Gomes 



sexta-feira, 29 de abril de 2016

o erotismo





A editora Autêntica lançou este ano uma nova e caprichada edição em português de dois dos mais famosos livros do pensador francês Georges Bataille (1897 – 1962): A parte maldita (resenhada por Daniel B. Portugal)  e O erotismo. 

Neste post, Ele fala um pouco sobre O erotismo, citado daqui para frente como ER (a numeração das páginas e a tradução são, naturalmente, as da edição da editora Autêntica).

O erotismo – livro originalmente publicado em 1957 — nos oferece um referencial profícuo e bem lapidado para refletirmos sobre o desejo e a experiência interior desses seres complicados que somos nós, humanos. A perspectiva de Bataille nos ajuda a enxergar o ponto de fuga das paixões humanas. Sim, trata-se de um único ponto, um único objeto (ou não-objeto) na base de todos os nossos desejos, embora variem as vias pelas quais o abordamos. “Esse objeto tem os mais variados aspectos, mas, desses aspectos, só penetramos o sentido se percebemos sua coesão profunda” (ER, p. 31). 

Tal coesão profunda se revela no fato de buscarmos sempre o fim de nossa descontinuidade, de nosso fechamento em um eu. Porém, chegar ao fim de tal busca seria o mesmo que desaparecer enquanto ser descontínuo – seria o mesmo que morrer. É assim que se pode entender a primeira fórmula que Bataille oferece daquilo que ele denomina Erotismo: “a aprovação da vida até na morte” (ER, p. 35).

 Essa afirmação, vale ressaltar, não é para ser entendida em sentido fraco ou figurativo. O que Bataille descobre em O erotismo é “que só chegamos ao êxtase na perspectiva, mesmo que longínqua, da morte, daquilo que nos aniquila [enquanto seres descontínuos]” (ER, p. 294).

leia mais na fonte: 
http://filosofiadodesign.com/o-erotismo/

vertigem 5



vertigem 5

meu santo dai-me
livrai-me do abandono
das intensas noites de sono
da verdade nua e crua
do destino que me persegue
meu santo
dai-me
essa mulher semi-nua

Artur Gomes Gumes

vertigens



vertigem

a  rosa roxa
nos teus lábios
 púrpura
me leva aos pelos
do teu corpo nua
desejo a língua
dessa boca pura
e a pele em transe
dessa carne crua

Artur Gomes

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Vertigem 2

tua vertigem
não me espanta
nem tão pouco me acalma

psicanaliticamente
vou lambuzar tua alma
como quem molha uma planta
que deságua da semente

Federika Lispector




Vertigem 3

essa vertigem
ainda vai dar nexo
minha mãe se mostra
nunca se esconde
explode no que sente
o teu corpo é sexo
e o teu sangue é quente

Gigi Mocidade




vertigem 4

mãe e filha
na mesma trilha
no mesmo atalho
da maravilha
do corpo santo
tua vertigem
agora e sempre
nuas no meu canto

quinta-feira, 28 de abril de 2016

poéticas fulinaímicas




jura secreta 116

nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais
fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta

e
eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos

e o que brota desse amor latente
se o desejo
é tua boca
no lençol dos dias?




jura secreta 126

as orquídeas ainda são azuis
girassóis relâmpagos na chuva
na surpresa dentro a tempestade
dessa manhã que finda

pimenta tua boca em chamas
incendeia meus lençóis profana
essa linguagem como arco-íris
como  fosse pulsação que arde
nas entranhas dessa luz de fogo
nos meus dentes mastigando a tarde

 
 



jura secreta 128

a carne que me cobre é fraca
a língua que me fala é faca
o olho que me olha vaca
alfa me querendo beta
juro que não sou poeta

a ninfa que me ímã quando arquiteta
o salto da abelha quando mel em flor
e pulsa pulsa pulsa

na matéria negra cor
quando a pele que veste é nada
éter pluma seda pelo
quando custa estar em arcozelo
desatar a lã dos fios do novelo

no sol de Amsterdã desvendar Hollandas
e os mistérios da palavra por entre os cotovelos





jura secreta 129

a coisa que me habita é pólvora
dinamite em ponto de explosão
o país em que habito é nunca
me verás rendido a normas
ou leis que me impeçam a fala
a rua onde trafego é amplo
atalho pra o submundo
o poço onde mergulho é fundo
vai da pele que me cobre a carne

ao nervo mais íntimo do osso

Artur Gomes

juras secretas



jura secreta 96

te procurei na Ipiranga
não te encontrei na Tiradentes
nas tuas tralhas tuas trilhas
nos trilhos tortos do Brás
fotografei os destroços
na íris do satanás

a cara triste da Mooca
a vaca morta no trem
beleza no caos: urbana
beleza é isso também

meu bem ainda mora distante
deste bordel carNAvalho
a droga a erva o bagulho
Tietê um tonto espantalho




jura secreta 98

fosse quântico esse dia
calmo claro intenso inteiro
20 de fevereiro
sendo assim esperaria

mesmo que em meio a tarde
TROVOADAS tempestades
insanidades guerras frias
iniqüidade
angústia
agonia
mesmo assim esperaria

20 horas
20 noites
20 anos
20 dias

até quando esperaria?
até que alguém percebesse
que mesmo matando o amor
o amor não morreria

Artur Gomes




metáfora de fogo


metáfora de fogo

no vai e vem das ondas
a espuma lambe a areia da praia
como um ferrão de arraia
varrendo conchas
a água do mar tempera de sal
tua ostra enquanto goza
com a língua em fogo
espada em riste penetrando as carnes
experimento o gosto
desse  líquido das marés 
entre as tuas coxas

Artur Gomes


quarta-feira, 27 de abril de 2016

Oficina Artes Cênicas - O Espelho



Oficina Artes Cênicas - O Espelho

de 5 a 26 de maio - das 15 às 18h
Tendo o Espelho como elemento cênico desenvolver uma pesquisa no universo surrealista do dramaturgo Espanhol Fernando Arrabal tendo como pano de fundo os textos: Fando e Lis e Guernica. 

Com o ator poeta e Diretor de Teatral: Artur Gomes

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terça-feira, 26 de abril de 2016

conchinhas e pedrinhas




conchinhas e pedrinhas

seria apenas um sonho
ou um grande delírio
uma praia
só de conchinhas
e pedrinhas
e nada de pedrinhos

descobri nos aeroportos
que praia que tem pedrinhos
tem peixinhos mortos

jack soul brasileiro
devoto dos meus santinhos
meu santo dai-me
livrai-me desses pedrinhos

Artur Gomes

sexta-feira, 22 de abril de 2016

VeraCidade 1



VeraCidade 1

as vezes vivo esta cidade
com o meu ser insano e torto
quase sempre cafajeste

as vezes visto esta cidade
e esta cidade não me veste

ela me quer cachorro morto
e eu sempre fui cabra da peste

Artur Gomes

quinta-feira, 21 de abril de 2016

poema das invenções



poema das invenções

fosse essa jura secreta
brazilírica fulinaimagem
mutações em pré-juizo
muito além da mesa posta
couro cru em carne viva
lambendo suor e cio
como corrente de rio
deságua no além mar

profana sagaraNAgem
nos gumes da carNAvalha
teu corpo em Maracangalha
fulinaimando comigo
agulha no meu umbigo
como uma faca nos dentes

a língua na flor da boca
em transitiva linguagem
ereto poema crescente
rasgando a carne no grito
o gozo nos nervos de dentro
roendo os ossos do mito

Artur Gomes
http://artur-gomes.tumblr.com 



a poesia pulsa



A poesia pulsa
para Tanussi Cardoso

aqui
a poesia pulsa
na veia
no vinho
no peito
no pulso
na pele
nos nervos
nos músculos
nos ossos

posso falar o que sinto
posso sentir o que posso

aqui
a poesia pulsa
nas coisas
nos códigos
nos sígnos
os significantes
os significados

aqui
a poesia pulsa
na pele da minha blusa
na menina dos olhos da musa
nas pipas nos arcos
nas madrugadas dos bares
descritas num guardanapo
no copo de vinho
na boca de vênus
na bola da vez da sinuca
sangrada pelo meu taco

aqui
a poesia pulsa
nos cabelos brancos de Bacca
na divina língua de Baco

Artur Gomes
FULINAÍMA Produções

antLíricas



antLírica

eu não sou zen
muito menos zhô
nem tão pouco
zapa
nem ando na contra capa
do teu disquinho
digital
não alinho pela esquerda
nem à direita do fonema
vôo no centro/viagem
olho rasante/miragem
veia pulsante/poema



Jura Não Secreta

quero dizer que ainda arde
 tua manhã em minha tarde
 a tua noite no meu dia 
tudo em nós que já foi feito
 com prazer ainda faria 

quero dizer que ainda é cedo
 ainda tenho um samba/enredo
 tudo em nós é carnaval
 é só vestir a fantasia

 quero ser teu mestre/sala
 e você porta/bandeira
 quando chegar na quarta-feira
 a gente inventa outra fulia.




terra de santa cruz

ao batizarem-te
deram-te o nome:
posto que a tua profissão
é abrir-te em camas
dar-te em ferro
ouro
prata
rios
peixes
minas
mata
deixar que os abutres
devorem-te na carne
o derradeiro verme

salgado mar de fezes
batendo na muralhas
do meu sangue confidente
quem botou o branco
na bandeira de alfenas
só pode ser canalha
na certa se esqueceu
das orações dos penitentes
e da corda que estraçalha
com os culhões de tiradentes


salve lindo pendão que balança
entre as pernas abertas da paz
tua nobre sifilítica herança
dos rendez-vous de impérios atrás

meu coração
é tão hipócrita que não janta
e mais imbecil que ainda canta:
ou
viram no ipiranga às margens plácidas
uma bandeira arriada
num país que não levanta

só desfraldando a bandeira tropicalha
é que a gente avacalha
com as chaves dos mistérios
dessa terra tão servil
tirania sacanagem safadeza
tudo rima uma beleza
com a pátria mãe que nos pariu

bem no centro do universo
te mando um beijo ó amada
enquanto arranco uma espada
do meu peito varonil
espanto todas estrelas
dos berços do eternamente
pra que acorde toda essa gente
deste vasto céu de anil
pois enquanto dorme o gigante
esplêndido sono profundo
não vê que do outro mundo
robôs te enrabam ó mãe gentil

telefonaram-me
avisando-me que vinhas
na noite uma estrela
ainda brigava contra a escuridão
na rua sob patas
tombavam homens indefesos
esperei-te 20 anos
ate hoje não vieste à minha porta


o poeta estraçalha a bandeira
raia o sol marginal quarta feira
na geléia geral brasileira
o céu de abril não é de anil
nem general é my brazil
minha verde/amarela esperança
portugal já vendeu para frança
e coração latino balança
entre o mar do dólar do norte
e o chão dos cruzeiros do sul

o poeta esfrangalha a bandeira
raia o sol marginal sexta feira
nesta porra estrangeira e azul
que há muito índio dizia:

meu coração marçal tupã
sangra tupy & rock and roll
meu sangue tupiniquim
em corpo tupinambá
samba jongo maculelê
maracatu boi bumbá
a veia de curumim
é coca cola & guaraná

o sangue rola no parque
o sonho ralo no tanque
nada a ver com tipo dark
e muito menos com punk
meu vício letal é baiafro
com ódio mortal de yank

ó baby a coisa por aqui não mudou nada
embora sejam outras siglas no emblema
espada continua a ser espada

poema continua a ser poema

Artur Gomes

a traição das metáforas


poundianas

torquato era um poeta
que amou a ana
leminski profeta
que amou a lice
um dia/pós
veio uilcon torto
e pegou a jóia diana
e junto na pereiralice

com o corpo &  alma
 das duas
foi Bouvoir assombradado
roendo o osso do mito
pra lá de frança ou bahia
pois tudo que o anjo dizia
Sartre jurou já ter dito
NONADA
- Biúte ria



Poética Metafórica

elétrica atravessa um facho de fogo luz
pela manhã nascente
teus dentes me cravam falas
e tudo que tua língua fala
alimenta o pavio aceso

onde elétrica passeia tua voz
a minha cala
preso na sala
agora em mim elétrica é quem fala

como segredo sagrado
jura secreta escorrendo entre meus dedos
verbo das sagradas escrituras
nem sei dizer ainda
quem é esta criatura

que me toma pela fala



alguma poesia 


 não. não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.
não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô.
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.

não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos.

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e uma cheiro de fêmea no ar devorador
aparentando realismo hiper moderno,
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
uma mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca,
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água
em meus destroços
pois se o cristo redentor  deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos

e na certa só faria poesia com os meus ossos.

Artur Gomes