quinta-feira, 21 de abril de 2016

a traição das metáforas


poundianas

torquato era um poeta
que amou a ana
leminski profeta
que amou a lice
um dia/pós
veio uilcon torto
e pegou a jóia diana
e junto na pereiralice

com o corpo &  alma
 das duas
foi Bouvoir assombradado
roendo o osso do mito
pra lá de frança ou bahia
pois tudo que o anjo dizia
Sartre jurou já ter dito
NONADA
- Biúte ria



Poética Metafórica

elétrica atravessa um facho de fogo luz
pela manhã nascente
teus dentes me cravam falas
e tudo que tua língua fala
alimenta o pavio aceso

onde elétrica passeia tua voz
a minha cala
preso na sala
agora em mim elétrica é quem fala

como segredo sagrado
jura secreta escorrendo entre meus dedos
verbo das sagradas escrituras
nem sei dizer ainda
quem é esta criatura

que me toma pela fala



alguma poesia 


 não. não bastaria a poesia deste bonde
que despenca lua nos meus cílios
num trapézio de pingentes onde a lapa
carregada de pivetes nos seus arcos
ferindo a fria noite como um tapa
vai fazendo amor por entre os trilhos.
não. não bastaria a poesia cristalina
se rasgando o corpo estão muitas meninas
tentando a sorte em cada porta de metrô.
e nós poetas desvendando palavrinhas
vamos dançando uma vertigem
no tal circo voador.

não. não bastaria todo riso pelas praças
nem o amor que os pombos tecem pelos milhos
com os pardais despedaçando nas vidraças
e as mulheres cuidando dos seus filhos.

não bastaria delirar Copacabana
e esta coisa de sal que não me engana
a lua na carne navalhando um charme gay
e uma cheiro de fêmea no ar devorador
aparentando realismo hiper moderno,
num corpo de anjo que não foi meu deus quem fez
esse gosto de coisa do inferno
como provar do amor no posto seis
numa cósmica e profana poesia
entre as pedras e o mar do Arpoador
uma mistura de feitiço e fantasia
em altas ondas de mistérios que são vossos

não. não bastaria toda poesia
que eu trago em minha alma um tanto porca,
este postal com uma imagem meio Lorca:
um bondinho aterrizando lá na Urca
e esta cidade deitando água
em meus destroços
pois se o cristo redentor  deixasse a pedra
na certa nunca mais rezaria padre-nossos

e na certa só faria poesia com os meus ossos.

Artur Gomes

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