sexta-feira, 8 de abril de 2016

na pele da memória


na pele da memória para saudar 2016

o mar
me levou a última quimera
o movimento dos barcos

ondas sempre morrem no cais
nem sei se quero mais tanta procura
daquilo que não tenho
se nos olhos ainda tenho
flores de dezembro
daquela manhã ainda me lembro

adele tinha a pele branca
como uma bruma de vênus
em tuas costas uma palavra indígena:
Bertioga

a tua língua macia me trazia o gozo
sempre demais
nunca  de menos

com a boca de água e sal 
me lambia
depois dos beijos molhados
nos lençóis de areia
e não era mais lua cheia
quando acordamos dentro.


Artur Gomes

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