quinta-feira, 28 de abril de 2016

poéticas fulinaímicas




jura secreta 116

nossas palavras escorrem
pelo escorrer dos anos
estradas virtuais
fossem algaravias
nosso desejo que não se concreta

e
eu tenho a fome entre os dedos
a sede entre os dentes
e a língua sobre a escrita
que ainda não fizemos

e o que brota desse amor latente
se o desejo
é tua boca
no lençol dos dias?




jura secreta 126

as orquídeas ainda são azuis
girassóis relâmpagos na chuva
na surpresa dentro a tempestade
dessa manhã que finda

pimenta tua boca em chamas
incendeia meus lençóis profana
essa linguagem como arco-íris
como  fosse pulsação que arde
nas entranhas dessa luz de fogo
nos meus dentes mastigando a tarde

 
 



jura secreta 128

a carne que me cobre é fraca
a língua que me fala é faca
o olho que me olha vaca
alfa me querendo beta
juro que não sou poeta

a ninfa que me ímã quando arquiteta
o salto da abelha quando mel em flor
e pulsa pulsa pulsa

na matéria negra cor
quando a pele que veste é nada
éter pluma seda pelo
quando custa estar em arcozelo
desatar a lã dos fios do novelo

no sol de Amsterdã desvendar Hollandas
e os mistérios da palavra por entre os cotovelos





jura secreta 129

a coisa que me habita é pólvora
dinamite em ponto de explosão
o país em que habito é nunca
me verás rendido a normas
ou leis que me impeçam a fala
a rua onde trafego é amplo
atalho pra o submundo
o poço onde mergulho é fundo
vai da pele que me cobre a carne

ao nervo mais íntimo do osso

Artur Gomes

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