domingo, 17 de abril de 2016

são saruê 8 e 9



são saruê 8

no sertão não tem mais
 gracilianos
só paupéria longos anos
não tem mais Guimarães rosa
a poesia é pouca  prosa
muito menos joão cabral

só morte vida Severina
no sertão – a fome é sina
penitência pessoal

falta chuva falta água
falta trigo para o pão
maisena pro mingau

o que não falta é corrupção
mas sem investigação
da polícia federal





são saruê 9

 vidas secas – no sertão
de graciliano – a grande obra
a carna/dura do corpo
fenece ao veneno da cobra
abre-se a cova pro morto
a terra engole o que sobra

Artur Gomes

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