domingo, 1 de maio de 2016

e não era vinho



santa elena – e não era vinho

bebi uma mulher/diaba  quase enlouqueci em meus delírius tremens ainda sonho que estou comendo uma cachorra e o cão dela tenta m matar com balas de calibre grosso mas como dizia fernando pessoa deuses e poetas não se matam e seus latidos não atingiram o meu corpo protegido com as armaduras de são Jorge acho que sobrevivi aos atentados de freud exatamente porque elena não era de tróia e em nossa cama sempre o pau duro dentro da sua boca do inferno que ela oferecia para o que quisesse entrar como cavalo galopei seus cornos no jardim zoológico de um janeiro abril

penso que ela
ainda é um pedaço de carne
do meu corpo

uma parte da unha
do dedo do pé

uma espinha no nariz
um arco/íris
um chafariz

como aquele
do filme de guilherme almeida prado
que só o bêbado tropeçando
faz com que ele transborde
suas águas coloridas

o número 6
de qualquer dado
num lance
que só mallarmè
sabe jogar

as vezes ainda penso
que ela foi
um corpo/pluma
que pairou no ar

Artur Gomes

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