domingo, 8 de maio de 2016

para sempre




A todas as Mães
Para Sempre

Por que Deus permite
Que as mães vão-se embora?
Mãe não tem limite
É tempo sem hora
Luz que não apaga
Quando sopra o vento
E chuva desaba
Veludo escondido
Na pele enrugada
Água pura, ar puro
Puro pensamento
Morrer acontece
Com o que é breve e passa
Sem deixar vestígio
Mãe, na sua graça
É eternidade
Por que Deus se lembra
- Mistério profundo -
De tirá-la um dia?
Fosse eu rei do mundo
Baixava uma lei:
Mãe não morre nunca
Mãe ficará sempre
Junto de seu filho
E ele, velho embora
Será pequenino
Feito grão de milho

Carlos Drummond de Andrade





por onde passeio minha língua 

tenho aqui a língua
no meu céu da boca
o
coração em cantos
entre uma vértebra e outra
a flor de lotus
no jardim das quantas
tua fome tanta
me mordendo as coxas

entre esperma e sangue
onde colho os lírios
entre um beijo e dor
não comi teu fruto do desejo ainda
e esse gosto tenho entre língua  dentes
pois sonhei teu corpo numa mesa farta
onde bebi nas noites este teu leite quente

Artur Gomes 

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