sexta-feira, 3 de junho de 2016

com os dentes cravados na memória



com os dentes cravados na memória
Vertigem 12

o barro do valão
que os meus pés pisaram
impregnou o sangue
transpirou os poros

o limo embaixo das unhas
lembra-me o lugar de onde vim
pre-destinado a ser poeta

não tracei a linha reta
já nasci um anjo torto
nada em mim se concreta
no meu sonho - desconforto

não gosto de automóvel
muito menos televisão
tudo em mim é impossível
até mesmo inexplicável
muito mais que inalcansável

cresci dentro do mato
conheci olho de cobra
pulo felino de gato
dentes afiados de cão

Artur Gomes Gumes

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