segunda-feira, 27 de junho de 2016

d´lírica




d´lírica

teus olhos castanhos
tanta ternura aos meus estranhos
trouxe - que nas noites de sono
sonho - como se anjo do céu
eu fosse




estação 353 

daqui do portal desta estação
ouço a voz do teu silêncio
o amor com seus olhos castanhos
passou no trem pra leningrado
e o nosso encontro marcado
ficou para depois
da estação porto viejo
onde a droga do desejo
é um veneno pra nós dois.

Gigi Mocidade



o piano dos teus dedos

meus dedos azuis
tocam 0 piano dos teus dedos
se Almodovar me ensinasse
a cor do teu vestido quando despes
eu poderia escrever sobre tua pele
embaixo dos tecidos de algodão
roçando nos teus poros

eu tenho fios elétricos esticados
e músculos mordendo os ponteiros
do relógio desse tempo tão depressa

se Clarisse me dissesse sobre a carne
das palavras eu poderia escrever
sobre essa embriaguez quando
o ritmo das horas não se sabe tanto

eu tenho uma corda presa na garganta
esperando que os teus dedos me liberte
da canção que diz espera




poétika morábilis 2
para Dandhara Juddi

escrever um poema
as vezes custa muito
outras vezes custa nada
ou pode custar tudo
se ele vem como um cavalo
em disparada
pelas luas da noite
ou estrelas da madrugada

mas é preciso sempre
soltar as rédeas desse  cavalo
na retina dos olhos das aquarelas
para não deixá-lo trancado
em currais  cercas   cancelas




delírica passarinhada

como um bem-me-quer
pelos lençóis sagrados
em algum mistério da santicidade
todo segredo deve ser guardado
na folha ou fruto da semente santa
o que semeio minha alma canta
o que em teu corpo o coração depara
Dandhara linda arara rara
em que floresta ainda vou compor
meu canto livre pra tua pele clara
eu quero quero como um beija-flor

Artur Gomes

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