quarta-feira, 29 de junho de 2016

estação 353



estação 353

desta estação
ouço teus gemidos de febre
no delírio proibido
cavajarro agora distante
guarda desejo cravado
nas unhas do desassossego

mares não mergulhados
coxas nunca lambidas
pela boca de entradas
e no instante sagrado
me prometeu que inda vinhas

esperei-te mil e uma noites
nas nuvens do vendaval
e não vieste pra farra
nem aplacou meu carnaval
fiquei por enlouquecer

nenhuma carta
caixa do correio vazia
agora a felina  noturna
espera pelo amanhecer.

Federika Bezerra





carolina

este mulher desde menina
que proclamei minha musa
por tantos mares navegados
por tantos anos vividos
pro tantos olhos profundos
toda beleza do mundo
procuro em tua janela
 pra não esquecer - carolina

já escrevi mil tratados
já rabisquei aquarelas
despenquei do corcovado
quando não vi os olhos dela
depois de anos passados
depois de tempos perdidos
volto ao de rio de janeiro
pra te re-ver carolina

Artur Gomes






o rio é uma a ponte que caiu

cara velas ao vento
toda barra em movimento
e o morro do juramento
corre em busca da farinha
que Cabral já descobriu

e um Rio violento
na pedra do Redentor
chora a morte da vizinha
chora a barbárie e o terror

e o marco do monumento
metralhadora e fuzil
pra garantir o movimento
só o prefeito é quem não viu
que esta cidade para olímpica
é uma ponte que caiu

Artur Gomes Gumes




Nenhum comentário:

Postar um comentário