terça-feira, 27 de setembro de 2016

poétikas


os rios secam
carangola muriaé paraíba itapemirim
morrem todos aqui dentro de mim


A branca flor
o azul do mar
e a menina dos meus olhos
com a luz de Iemanjá



quem dera fosse
a minha namorada
e chegasse sem aviso
só preciso dos teus olhos
e a luz do teu sorriso

Artur Gomes
foto.poesia

sexta-feira, 23 de setembro de 2016

poÉtikas

ando meio travestida

ultimamente
mas nem tanto
como a outra
que me segue ma descarta

na mesa ponho as cartas
arrombo  a porta
salto pela janela
detesto falsidade
boto fogo na cidade
e gozo nacara dela

Gigi Mocidade


eu não sou santa
eu sou a outra
uso pouca roupa
no corpo rasgo os panos

uso o necessário
sobre a flor da pele
até que o essencial
a alma te revele


Federika Lispector

quarta-feira, 21 de setembro de 2016

poesia


Poesia
eu te penetro
em nome do pai
do filho
do espírito santo
amém

não te prometo
em nome de ninguém



jura secreta 115
rasguei as velas que teci 
em tempestades
rompi as noites em alto mar 
de maresias 
pensei teu corpo 
pra amenizar tanta saudade 
e vi teus olhos em cada vela que tecia.
este teu olho que me olha 
azul safira ou mesmo verde
esmeralda fosse - pedra 
pétala rara - carne da matéria doce
ou mesmo apenas fosse 
esse teu olho que me molha
quando me entregas do mar
toda alga que me trouxe.

 

não mexe comigo não
que viro cão
trovão
relâmpago
trovoada
tempestade
não sou santo nunca fui
nunca serei
o defensor da moralidade
eu sou diabo
que estraçalhou  a tua falsa  castidade

Artur Gomes Gumes






quinta-feira, 8 de setembro de 2016

sagaraNAgens Fulinaímicas


SagaraNAgens Fulinaímicas


guima meu mestre guima
em mil perdões eu vos peço
por esta obra encarnada
na carne cabra da peste
da hygia ferreira bem casta
aqui nas bandas do leste
a fome de carne é madrasta

ave palavra profana
cabala que vos fazia
veredas em mais sagaranas
a morte em vidas severinas
tal qual antropofagia
teu grande serTão vou cumer

 nem joão cabral severino
nem virgulino de matraca
nem meu padrinho de pia
me ensinou usar faca
ou da palavra o fazer

a ferramenta que afino
roubei do meste drummundo
que o diabo giramundo
é o narciso do meu Ser



 veraCidade

por quê trancar as portas
tentar proibir as entradas
se já habito os teus cinco sentidos
e as janelas estão escancaradas ?

um beija flor risca no espaço
algumas letras de um alfabeto grego
signo de comunicação indecifrável
eu tenho fome de terra e esse asfalto
sob a sola dos meus pés  agulha nos meus dedos

 

quando piso na Augusta
o poema dá um tapa na cara da Paulista
flutuar na zona do perigo  entre o real e o imaginário
João Guimarães Rosa Caio Prado Martins Fontes
um bacanal de ruas tortas

eu não sou flor que se cheire
nem mofo de língua morta
o correto deixei na Cacomanga
matagal onde nasci

com os seus dentes de concreto
São Paulo é quem me devora
e selvagem devolvo a dentada
na carne da rua Aurora




sargaço em tua boca espuma

em Armação de Búzios
 tenho um amor sagrado
guardado como jura secreta
que ainda não fiz para Laís

em teus cabelos girassóis de estrelas
que de tanto vê-las o meu olho  vela
e o que tanto diz  onda do mar  não leva
da areia da praia onde grafei teu nome
para matar a sede e muito mais a fome

entranhada  na carne como flor de Lotus
grudada na pele como tatuagem
flutuando ao vento como leve pluma
no salgado corpo do além mar afora
sargaço em tua boca espuma
onde moram peixes  - na cumplicidade
do que escrevo agora




jura secreta 14

eu te desejo flores
lírios brancos margaridas
girassóis
rosas vermelhas
e tudo quanto pétala
asas estrelas borboletas
alecrim bem-me-quer e alfazema

eu te desejo emblema
deste poema desvairado
com teu cheiro
teu perfume
teu sabor, teu suor
tua doçura

e na mais santa loucura
declarar-te amor até os ossos

eu te desejo e posso
palavrArte até a morte
enquanto a vida nos procura




meta metáfora no poema meta

como alcançá-la plena
no impulso onde universo pulsa
no poema onde estico plumo
onde o nervo da palavra cresce
onde a linha que separa a pele
é o tecido que o teu corpo veste

como alcançá-la pluma
nessa teia que aranha tece
entre um beijo outro no mamilo
onde aquilo que a pele em plumo
rompe a linha do sentido e cresce
onde o nervo da palavra sobe
o tecido do teu corpo desce
onde a teia que o alcançar descobre
no sentido que o poema é prece





lavra/palavra


lavra/palavra

a lavra da palavra quero
quando for pluma
mesmo sendo espora
felicidade uma palavra
onde a lavra espora
se é saudade dói mas não demora
e sendo fauna linda como a Flora
lua Luanda vem não vá embora
se for poema fogo do desejo
quando for beijo que seja como agora

a lavra da palavra quero
onde Mayara bruma já me diz - espero
saliva na palavra espuma
onde tua alma é uma
elétrica pulsação de Eros

 a dança do teu corpo vero
onde tua alma luna e meu corpo impluma
valsa por Laguna em beijos e boleros

Artur Gomes


palavra


palavra

te amo e não é pouco
te beijo mesmo não sendo - embora
não seja distância geografia
baia da Guanabara
teus olhos em minhas mãos
numa cama iluminada
como o sol de Araraquara
onde estivemos pele a pele
corpo a corpo boca a boca
voraz a carne no desejo
beijo tua alma nua
como essa lua lá fora
reluz nas águas de mamãe Oxum
quando o dia for agora
não seremos dois - nós somos um

Artur Gomes

jura secreta 13

jura secreta 13

o tecido do amor já esgarçamos
em quantos outubros nos gozamos
agora que palavro Itaocaras
e persigo outras ilhas na carne crua do teu corpo
amanheço alfabeto grafitemas
quantas marés endoidecemos
e aramaico permaneço doido e lírico
em tudo mais que me negasse
flor de cactos flor de Lótus flor de lírios
ou mesmo sexo sendo for ou faca fosse
Hilda Hilst quando então se me amasse
flechas de fogo ardendo em nós se existisse
salgado mar pulsando em nós e Olga risse
por onde quer que eu te cantasse
ou Amavisse

Artur Gomes
poema do Livro: SagaraNAgens Fulinaímicas

oxum/mulher

oxum/mulher

te procuro à  flor da pele
dentro do meu livro
desfolho então página por página
para te encontrar na quarta capa
oxum/mulher meu serAfim
o mar te trouxe a mim
mas que mata virgem escondeu
meu beija-flor teu codinome
na tatuagem em minhas mãos
todas as letras do teu nome

Artur Gomes
foto.poesia

quinta-feira, 1 de setembro de 2016

baby cadelinha



baby cadelinha

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob o esterco de vênus
onde me perco mais me encontro menos
de tudo o que não sei
só fere mais quem menos sabe
sabre de mim baioneta estética
cortando os versos do teu descalabro

visto uma vaca triste como a tua cara:
estrela cão meu gatilho morro
a poesia é o salto de uma vara

disse-me uma vez quem não me disse
ferve o olho do tigre quando plasma
letal a veia no líquido do além
cavalo máquina meu coração quando engatilho

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os demônios de Eros
onde minto mais porque não veros
fisto uma festa a mais que tua vera

cadela pão meu filho forro
a poesia é o auto de uma fera

devemos não ter pressa
a lâmina acesa sob os panos quem incesta
perfume o odor final do melodrama
sobras de mim papel e resma
impressão letal dos meus dedos imprensados
misto uma merda a mais que tua garra:

panela estrada grão socorro
a poesia é o fausto de uma farra

Artur Gomes
foto.poesia - FULINAÍMA MultiProjetos
portalfulinaima@gmail.com

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