domingo, 30 de outubro de 2016

o corpo da palavra corpo


o corpo da palavra corpo

sou uma pintura de Picasso
pedaço de Guernica
a cara do espanto
na espaçonave do tempo
destroçada no instante do horror

me decompus em tintas de aquarela
meu corpo barco à vela
pelos mares dessa dor


 inquietação

ando perdendo o sono
com uma formiga
que me atravessa o corpo

nem sei de onde vem
nem para onde vai
mas me perfura a carne

os nervos os músculos
não é justo logo comigo
essa maldita aflição

esse pedaço de desassossego
dentro da vertigem
sem nenhuma explicação



jura secreta 116

Marilyn mora numa mar de uvas
tem medo do poema praia
quando sopro um poema em teus ouvidos
transformo a tua blusa em saia

Marilym me diz
não ser digna de um poema
mas ao vê-la no cinema
como não imaginar poéticas
abrindo o veio dos sentidos
e não sei se a ética me conduz
a olhar apenas para  o teu vestido

Artur Gomes
imagens: José Cesar Castro




Nenhum comentário:

Postar um comentário