terça-feira, 29 de maio de 2018

toda nudez não será castigada



toda nudez não será castigada

quantos azuis celebram
tua pele pêssego
para que o amor seja
sempre
a fruta que a semente
explode em luz

Federico Baudelaire

sábado, 19 de maio de 2018

o poeta enquanto coisa




O poeta enquanto coisa
para Tonho França

Escrito a 16 mãos
8 cabeças
cada um com o seu tanto
catando palavras ao vento

cada qual com sua lida
cada qual com seu invento
comendo da minha comida
provando do meu labirinto

abbey road
easy rider
nova acrópole
absinto

Artur Gomes
Obs.: novo livro ganhando forma

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Traficagem



Traficagem

não é sagaranagem
nem sequer libidinagem
de Macunaíma com Oxum

é definição de Ednalda Almeida
para ilustração da capa do meu livro
Juras Secretas do pudor nenhum

metáfora concreta
para o traço lírico gráfico
de Felipe Stefani
como um poema ereto
qual espada de Ogum

re-leitura erótica do que está o-culto
entrelaçados entre dois corpos tensos
que se entregam ao  coito
sem problema algum

pernas coxas línguas dedos dentes
e o êxtase impresso
na estrutura muscular  de cada um

Artur Gomes
Para o meu próximo livro: O poeta enquanto coisa


terça-feira, 20 de março de 2018

federika me deixou a ver navios



Federika me deixou a ver navios

federika não me ama mais
jogou forma minha mala da fama
na varanda do seu cais
me  deixou a ver navios
nesse mar de tempestades
me deixou só na saudade
dos Recifes das  Viagens
do seu corpo cama cozinha
seu azeite sal com pimenta
as ervas que mais preciso
não sei onde mais encontrar
Zeus que me guarde em Juízo
para não me atirar do 8º Andar

Federicco Baudelaire




sexta-feira, 16 de março de 2018

artefato



artefato (poema sujo)

numa cidade abstrata
sem sentido ou significado
matadouro é arte concreta
veracidade é pecado
pago com pena de morte

esta máquina de escrever
fotografada em Itaguara
como um poema de Lorca
escrito em Nova Granada
cravado em Araraquara

você não sabe onde está
você não sabe onde  é
você não sabe de quem foi
este punhal na metáfora
que sangra a carne do boi

Artur Gomes

quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes


domingo, 25 de fevereiro de 2018

o fauno e a flauta


o fauno e a flauta

o fauno lê Baudelaire
do outro lado da trama
enquanto dorme a donzela
com uma rosa entre as coxas

o fauno traça o poema
na geografia do corpo
atravessa o vértice do tempo
com o seu falo em chamas
por não ter juízo

e com a flauta toca
pétala por pétala
na porta de entrada
do pontal do paraíso

Artur Gomes

imagem: Daniela Pace

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

um outro nada



um peixe mergulha
um outro nada

como não tenho um outro
nada a te oferecer
te ofereço flor de cactos
flor de lótus
flor de lírios
ou mesmo sexo
sendo flor ou faca fosse
nos poemas ácidos
em meus nervos óxidos

te ofereço tudo
sem nenhum apego
minhas arte/manhas

meu desassossego

Artur Gomes

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sax blues poesia


Sax Blues Poesia
Artur Gomes - voz - poesia
Dalton Freire - Sax - Flauta
Álvaro Manhães - voz e violão
Dia 6 - fevereiro 20:00h
Tenda Para Todos - Farol de São Tomé
Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Ind/Gesta

não prego prego sem estopa
nem tapo o sol com a peneira
não troco manguinhos por mangueira
nem pulga por carrapato
eu sou a mosca
que pousou na tua sopa
a pedrinha
que entrou no teu sapato

Artur Gomes



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EntreDentes




Manguinhos

todo ano
o Oceano
amplo espaço
para o vento
o barco
o tempo

calmaria
temporal
e tempestades

no mar a alga
o sal
o peixe

abissal
entre os corais

em mim
tudo é mar
da foz ao cais

meu barco/corpo
flutua tuas marés
entre/navios

beber teu sal
pra re/nascer
de outra fonte

o infinito
é logo ali
do outro lado do horizonte

Artur Gomes



numa trilha de bike hoje pelo litoral percebi que o
amor é transe corporal muito além do mar de sal que me lambe as coxas entre a mata e o manguezal de Rio das Ostras

Gigi Mocidade





cabeça

ando me deliciando com a poesia de Adélia Prado onde o sagrado e o profano brincam de desencapar fios elétricos como pedras na carne e esporas ao vento Adélia tem medo de chuva de relâmpios casca de manga medo de certos bicho que não fala pra não ter que lavar sua boca com cinza.

Artur Gomes 

domingo, 7 de janeiro de 2018

meu boto cor de rosa


meu boto cor  de rosa

impossível não ter desejo eu tenho e quem nunca teve que atire a primeira pedra quem conhece em Guarapari a praia das Virtudes sabe que ali eu me deliro ali eu deito e rolo faço cama na areia brinco de sereia e canto pro meu boto encantado cor de rosa que mora do outro lado das pedras da praia dos Namorados

Federika Lispector
eu não sou santa




baby cadelinha

onde o tempo não seja movido pela imoralidade de boletos bancários você tem 24 horas para me deixar rasgar o vento no centro do teu corpo como quem deseja a faca na carne da maçã antes da última dentada desse músculo teso em tua boca branca quando me dá fome

Artur Gomes 


sábado, 6 de janeiro de 2018

santíssima trindade


santíssima trindade

érika era o azul entre a serra e o vinhedo teus lábios em minha boca teus seios entre meus dentes teus mamilos entre meus dedos  outubro 2008 eu a desejava paixão violenta desde o primeiro dia que a vi no Bar Dois Coqueiros lamparina por todos os poros naquela noite de poesia no Cefet em Bento Gonçalves-RJ ela ia aos poucos se abrindo em uvas como quem estivesse se oferecendo para  com tudo no palco o amor em estado bruto  que antevia o sexo não tinha mais dúvidas que naquela noite iríamos ao ato consumado não cabia mais em mim o silêncio das metáforas incandescentes descemos do palco abraçados como dois amantes em direção a rua quando num corredor da janela lateral ela me deu um beijo na boca e me apresentou a mãe  gelei mas seguimos para jantar na despedida outro beijo na boca e segui com a mãe para a cama

Artur Gomes

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

Mostra Cinema Ambiental



Mostra Cine Ambiental
exibição de  curtas mostrando a situação
ambiental de diversas cidades brasileiras
27 - janeiro - 2018 - 21:00h
Estação 353 - São Francisco do Itabapoana

sem meias palavras ando descalço
pra pisar a lavra da palavra chão

Studio Fulinaíma Produção Audiovisual




santíssima trindade

outubro 2008 eu a desejava paixão violenta desde o primeiro dia que a vi no Bar Dois Coqueiros lamparina por todos os poros naquela noite de poesia no Cefet em Bento Gonçalves-RJ ela ia aos poucos se abrindo como quem estivesse se oferecendo para o com tudo no palco o amor em estado de vinho e uva que antevia o sexo não tinha mais dúvidas que naquela noite iríamos desfrutar do ato consumado não cabia mais em mim o silêncio das metáforas incandescentes descemos do palco abraçados como dois amantes em direção a rua quando num corredor da janela lateral ela me deu um beijo na boca e me apresentou a mãe  gelei mas seguimos para jantar na despedida outro beijo na boca e segui com a mãe para a cama

Artur Gomes