quinta-feira, 20 de setembro de 2018

lua cheia



lua cheia

tatuei com a língua a data
no teu corpo litoral – meu corpo em chamas
o mar lambeu o sal na concha
que plantei no teu umbigo
um palmo abaixo espuma  ondas
por entre o vão de nossas coxas
Netuno aceso como um beijo de setembro
linguagem viva no temporal por onde for
eu sonho a lua quando  cheia
que  me transmuta pra compor

Artur Gomes

segunda-feira, 10 de setembro de 2018

tempo poético



Tempo  
Para Isadora Chiminazzo Predebon

O tempo é o senhor
dos meus ponteiros de músculos
relógio oculto no incons/ciente
o tempo
nos olhos daquela viagem
a paisagem
Caminho de Pedras
 o cenário
Vale dos Vinhedos
o tempo
guardo em segredo
como uma Jura Secreta
na íris dos olhos dela
na face oculta da noite
na retidão clara do dia
como um concha na areia
o tempo mar de espumas
sargaço algas noturnas
a carne do corpo também
o vinho do tempo na boca
e a língua dizendo amém

Artur Gomes Gumes





poeta

por um poema
que desconcerte
entorte
desconcerte
arrombe a porta
dos céus
da tua boca
arranhe os dentes
da loba
arrebanhe os cordeiros
no pasto
e lhes ensine
a subverter
as ordens do pastor
assumo o risco
não sou o demo
nem corisco
eu sou cantor

Artur Gomes Gumes

segunda-feira, 3 de setembro de 2018

sagaranagem turca



Sagaranagem  turca

estella ainda passeia
direto na veia
naquele encontro marcado
o amor não consumado

me beijou no morro da urca
despindo seus montes claros
umbigo colado  no umbigo
marcou comigo no catete
com aquela fome do cacete
pra comermos nalgum lugar

estella fugiu pra tijuca
deixando-me naquela sinuca
em nossa cama de sonhar

Federico Baudelaire





linguagem

abraço este poema
como se beijasse meu poeta
com suas linhas tortas
em meu corpo tatuado
teu nome e sobrenome
como um  gozo ardente
tua língua ativa
me lambendo quente
e todo líquido escorrendo
por entre o vão dos dentes

Gigi Mocidade

quarta-feira, 29 de agosto de 2018

mitológicas



Jura Secreta 106

Clarice deseja o indesejável
na escuridão o que não tem nome
o abominável dos desejos
no sagrado o que não se dizia
descrevias as galáxias de Haroldo
descendo ao concreto de Augusto
como se fosse simbolismo pós-moderno
em Dante queria sempre descer aos infernos
no silêncio seu barulho nas auroras
penetrando meus abismos
em labirintos pra mastigar meus pesadelos
quando a noite se vestia de mistérios
com 7 velas que acendia para Oxossi
entre as matas do seu corpo em desconcerto


Mitológica

O sorriso de Monalisa
na boca de Clarice eletri-fica
Zeus em mim por todas Heras
deusas angelicais
beijam meus lábios canibais
cantando salmos
em hóstias consagradas
no altar – secretas juras
e os bíblicos enciumados
excluíram meus poemas
das sagradas escrituras


Enigma número 2

arde em minhas mãos teus poros
minhas unhas ainda queimam
dentro o sal das tuas ágoras
outubro era quase um mar de folhas
no coliseu dos imigrantes italianos
e nossos corpos não tinham panos
nos planos só o amor das águas
o vinho temperava nossas línguas
ao mastigar a santa ceia
Clarice trigo do pão em minha boca
fermento de Zeus em nossas carnes
no vale Olimpo onde gozamos
com fachos de fogo em nossas veias

Artur Gomes




sexta-feira, 17 de agosto de 2018

jura secreta 103




Jura Secreta 103

Clarice em tudo que ainda não disse
em tudo o que ainda disser
nas páginas de um livro branco
como fosse um chocolate
quem sabe vento de maio
as flores do mal desfolhasse
nas pétalas do bem-me-quer
num carnaval na quarta-feira
Clarice a porta/bandeira
do mestre/sala  Federico Baudelaire

Artur Gomes
Fulinaíma MultiProjetos
(22)99815-1266 - Whatsapp


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

jura secreta101



Jura secreta 101

fosse Clarice
uma mulher aos trinta
em tudo que ainda sint(r)a
como um mar pulsando ostras
beijaria o sal nas coxas
entre deuses céus infernos
fosse sagrado – não profano
nossos desejos mais e-ternos

fosse nu – corpo sem planos
como o vento nos vinhedos
em teus cabelos – desalinhos
os teus poros nos  meus dedos
tua lã fosse meu linho
tua língua entre meus dentes
 em nossas bocas tinto – vinho

Artur Gomes



quarta-feira, 1 de agosto de 2018

poeticas


Poética 106
Para Carolina Barbato

tua voz ecoa
marulha um mar
de um outro cais
e vens em ondas
 solos de cristais
acordando algas
cavalos marinhos
peixes abissais

rouca  elétrica
essa garganta lírica
de vocais intensos
quando teu ser eu penso
como  um som atávico
de milhões de Eras
nas línguas  da história
que os meus ouvidos híbridos
ainda ouvem  na memória


Poética 105

bebo teus olhos
dentro da noite escura
de onde vens criatura
que me consome na fala
quando me olha e se cala
no seu profundo pensar

mergulho no teu silêncio
pelos mistérios do cio
pelos segredos do ar
o que me trazes do rio
o que me teces no fio
o que me levas do mar



Artur Gomes Gumes


terça-feira, 3 de julho de 2018

a menina que roubava sonhos



A menina que roubava sonhos

Era uma tarde qualquer
Ensolarada em Nova Roma do Sul
havia acabado de falar poesias
de Oscar Bertholdo
na semana cultural da cidade
enquanto ela me esperava sentada
na porta do VinoCap em Bento Gonçalves

Dalí já era um pintor su-realista
quando na noite entre poesia e outra
nos beijávamos no lugar
da memória e    boemia

Artur Gomes
o poeta enquanto coisa

terça-feira, 29 de maio de 2018

toda nudez não será castigada



toda nudez não será castigada

quantos azuis celebram
tua pele pêssego
para que o amor seja
sempre
a fruta que a semente
explode em luz

Federico Baudelaire

sábado, 19 de maio de 2018

o poeta enquanto coisa




O poeta enquanto coisa
para Tonho França

Escrito a 16 mãos
8 cabeças
cada um com o seu tanto
catando palavras ao vento

cada qual com sua lida
cada qual com seu invento
comendo da minha comida
provando do meu labirinto

abbey road
easy rider
nova acrópole
absinto

Artur Gomes
Obs.: novo livro ganhando forma

quinta-feira, 17 de maio de 2018

Traficagem



Traficagem

não é sagaranagem
nem sequer libidinagem
de Macunaíma com Oxum

é definição de Ednalda Almeida
para ilustração da capa do meu livro
Juras Secretas do pudor nenhum

metáfora concreta
para o traço lírico gráfico
de Felipe Stefani
como um poema ereto
qual espada de Ogum

re-leitura erótica do que está o-culto
entrelaçados entre dois corpos tensos
que se entregam ao  coito
sem problema algum

pernas coxas línguas dedos dentes
e o êxtase impresso
na estrutura muscular  de cada um

Artur Gomes
Para o meu próximo livro: O poeta enquanto coisa


terça-feira, 20 de março de 2018

federika me deixou a ver navios



Federika me deixou a ver navios

federika não me ama mais
jogou forma minha mala da fama
na varanda do seu cais
me  deixou a ver navios
nesse mar de tempestades
me deixou só na saudade
dos Recifes das  Viagens
do seu corpo cama cozinha
seu azeite sal com pimenta
as ervas que mais preciso
não sei onde mais encontrar
Zeus que me guarde em Juízo
para não me atirar do 8º Andar

Federicco Baudelaire




sexta-feira, 16 de março de 2018

artefato



artefato (poema sujo)

numa cidade abstrata
sem sentido ou significado
matadouro é arte concreta
veracidade é pecado
pago com pena de morte

esta máquina de escrever
fotografada em Itaguara
como um poema de Lorca
escrito em Nova Granada
cravado em Araraquara

você não sabe onde está
você não sabe onde  é
você não sabe de quem foi
este punhal na metáfora
que sangra a carne do boi

Artur Gomes

quinta-feira, 8 de março de 2018

Todo Dia É Dia Dela



Todo Dia É Dia Dela
Todo Dia É Dia D

Mulher
meu poema
se completa em teu vestido
roçando tua carne
no algodão tecido

Meu ofício é de poeta
pra rimar poema e blusa
e fica na tua pele
pelo tempo em que me usa

Artur Gomes


domingo, 25 de fevereiro de 2018

o fauno e a flauta


o fauno e a flauta

o fauno lê Baudelaire
do outro lado da trama
enquanto dorme a donzela
com uma rosa entre as coxas

o fauno traça o poema
na geografia do corpo
atravessa o vértice do tempo
com o seu falo em chamas
por não ter juízo

e com a flauta toca
pétala por pétala
na porta de entrada
do pontal do paraíso

Artur Gomes

imagem: Daniela Pace

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

um outro nada



um peixe mergulha
um outro nada

como não tenho um outro
nada a te oferecer
te ofereço flor de cactos
flor de lótus
flor de lírios
ou mesmo sexo
sendo flor ou faca fosse
nos poemas ácidos
em meus nervos óxidos

te ofereço tudo
sem nenhum apego
minhas arte/manhas

meu desassossego

Artur Gomes

terça-feira, 23 de janeiro de 2018

sax blues poesia


Sax Blues Poesia
Artur Gomes - voz - poesia
Dalton Freire - Sax - Flauta
Álvaro Manhães - voz e violão
Dia 6 - fevereiro 20:00h
Tenda Para Todos - Farol de São Tomé
Realização: Fundação Cultural Jornalista Oswaldo Lima

Ind/Gesta

não prego prego sem estopa
nem tapo o sol com a peneira
não troco manguinhos por mangueira
nem pulga por carrapato
eu sou a mosca
que pousou na tua sopa
a pedrinha
que entrou no teu sapato

Artur Gomes



terça-feira, 9 de janeiro de 2018

EntreDentes




Manguinhos

todo ano
o Oceano
amplo espaço
para o vento
o barco
o tempo

calmaria
temporal
e tempestades

no mar a alga
o sal
o peixe

abissal
entre os corais

em mim
tudo é mar
da foz ao cais

meu barco/corpo
flutua tuas marés
entre/navios

beber teu sal
pra re/nascer
de outra fonte

o infinito
é logo ali
do outro lado do horizonte

Artur Gomes



numa trilha de bike hoje pelo litoral percebi que o
amor é transe corporal muito além do mar de sal que me lambe as coxas entre a mata e o manguezal de Rio das Ostras

Gigi Mocidade





cabeça

ando me deliciando com a poesia de Adélia Prado onde o sagrado e o profano brincam de desencapar fios elétricos como pedras na carne e esporas ao vento Adélia tem medo de chuva de relâmpios casca de manga medo de certos bicho que não fala pra não ter que lavar sua boca com cinza.

Artur Gomes